linhas soltas...: Março 2004
Sábado, Março 27, 2004
Nação Prozac (II)
Acabei por ler o Nação Prozac mais rápido do que pensava. Tal como prometido, vou deixar aqui alguns comentários.

Fazendo uma comparação com o filme, ficou demasiado para dizer. Quem viu apenas o filme, fica apenas com uma pequeníssima ideia do que realmente aconteceu. O livro divide-se em diferentes períodos de tempo, onde vai sendo descrito o longe percurso percorrido pela Elizabeth Wurtzel, desde a infância, onde admite ter sido uma criança 'muito promissora', até ao momento em que finalmente se vê parcialmente livre da depressão (embora admita que nunca vai ficar realmente curada).

Reparei em algumas situações que no filme aparecem um pouco fora do contexto (daí ter referido a minha vontade de tapar uma série de lacunas) e ainda algumas situações que não aparecem descritas, como a tentativa se suicídio em casa da psiquiatra, onde no filme aparece através da tentativa de corte dos pulsos, com a filha da doutora a ver, enquanto que no livro aparece com a ingestão de comprimidos. Esta parte até se torna compreensiva, se o sentido que quiseram dar a essa cena, fosse de demonstrar que, embora no filme Elizabeth mostrasse intenções de largar a medicação, na realidade necessitava dela para conseguir levar uma vida normal. Há mais algumas partes que notei estarem talvez um pouco exageradas, ou com uma importância demasiada, quando no livro existem outras partes que mereciam ter sido realçadas, mas claro que resumir uma obra longa como esta num filme com uma duração relativamente curta é algo complicado.

Se viram o filme e querem realmente conhecer a história, leiam o livro. Para quem não viu o filme, leiam na mesma, é muito bom, o que deve ter dado para perceber pela rapidez com que o li.

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Sexta-feira, Março 26, 2004
Antes e... depois
Ultimamente passo a vida a cruzar-me com antigos colegas de escola, daqueles que já não via há vários anos. Nestes casos acontece normalmente uma de duas coisas: ou a conversa corre durante tempos e tempos, ou simplesmente parece que não há nada para dizer.

Relembro uma conversa que tive com uma destas pessoas que em tempo fizeram parte do meu dia-a-dia, em que me dizia que não mantinha contacto com ninguém, que as pessoas fazem parte das nossas vidas durante um tempo, para depois simplesmente partirem.

Acho que em parte tem razão, embora no meu caso ainda mantenha algum contacto com algumas pessoas, poucas, que ainda me dão os parabéns, ou se lembram de ir contando banalidades.

Todos os que se cruzam connosco acabam por nos transformar um pouco, mesmo que não tenhamos consciência disso. Mas inevitavelmente acabamos por cada qual seguir o seu rumo, deixando para trás todas as pessoas que em alguma altura foram importantes para nós.

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Sexta-feira, Março 19, 2004
Nação Prozac

E já cá está. "Nação Prozac" de Elizabeth Wurtzel. Como já sabem, trata-se de uma autobiografia de uma jovem que sofreu de depressão.

Desde o momento em que vi o filme, fiquei com uma grande vontade de tapar algumas lacunas que parecem surgir em alguns momentos (embora a vontade de o ler tivesse surgido algum tempo antes, o filme apenas aumentou o apetite).

Da breve passagem de olhos que já dei, nota-se que se trata de um livro bastante directo e sincero, pelo que tenho a certeza que vale a pena, pelo menos para mim, que gosto deste tipo de discurso (como já deu para notar por alguns dos livros que têm aparecido aqui referidos).

Com o curto espaço de tempo que vou tendo livre, vou ter que prolongar a leitura durante algum tempo, mas assim que puder, coloco aqui uma opinião geral de toda a obra.

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Sábado, Março 13, 2004
De Profundis, Valsa Lenta

Enquanto aguardo pelo "Prozac Nation" de Elizabeth Wurtzel, vou reler "De Profundis, Valsa Lenta", de José Cardoso Pires.

Trata-se do relato de tudo o que José Cardoso Pires viveu durante o tempo em que esteve, de certo modo, afastado do mundo, após um acidente vascular cerebral.

Como na altura em que li um professor de filosofia disse, este tipo de acidente acontece a muitas pessoas em todo mundo, mas nenhuma delas conseguiria descrever sem ter a sensibilidade e habilidade literária para escrever um relato deste tipo, se não fosse um escritor.

Vale a pena!

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Quinta-feira, Março 11, 2004
11 de Março

Seria isto mesmo necessário?

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Sexta-feira, Março 05, 2004
Cegueira selectiva?
Por muitas vezes que nos deparemos as mesmas coisas, há sempre pormenores que escapam. Parece que nunca conseguimos apreciar em pleno seja o que for. A qualquer momento descobrimos algo novo naquilo que pensamos já conhecer.

Por vezes torna-se assustador quando, num momento de observação mais cuidada, notamos que estamos completamente enganados quanto à imagem inicial que tínhamos.

Noutras, estamos tão absorvidos num pormenor, que não ligamos a um outro, que mais tarde acaba por se mostrar fundamental. Quando damos por isso, por momentos voltamos atrás, revemos o que aconteceu e lamentamos não ter dado por isso.

Quantas vezes não queremos ver algumas coisas, embora sejam óbvias?

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